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Conseguias viver totalmente isolado da civilização?

É possível viver fora do sistema? Podia-se dizer que sim, mas não a 100%.

Se o que se pretendes é fugir da vida da cidade, da pressão de ter um emprego para fazer face às despesas e das contas mensais, há formas de o fazer. Como em tudo, há formas e maneiras de realizar esta reforma vital: desde a mais flexível à mais radical. O que é claro é que, em certa medida, é possível viver longe do sistema, mas é mais difícil fazê-lo sem dinheiro.

JORDI SURÍS

Este catalão de 69 anos decidiu viver na natureza quando se reformou. Mas ele não vive completamente desligado. Ainda mantém um simples telemóvel e algumas outras coisas que lhe facilitam a desconexão. Foi viver há quatro anos para a floresta. Para um lugar perto de Campins, junto ao Parque Natural de Montseny.

DANIEL SUELO

Daniel viajou para os Estados Unidos praticamente sem dinheiro e percorreu a terra das oportunidades. Depois viajou para a Índia e lá aprendeu com os monges sadhus a viver como eles, de uma forma austera. Foi então que percebeu que queria viver por si próprio, inspirado por eles. Voltou para os Estados Unidos. Ali, sem dinheiro, decidiu que a sua casa seria um abrigo na árvore e uma caverna. Uma caverna no deserto de Moab, Utah, onde vive a comer raízes, ervas e restos comestíveis que encontra ao longo do caminho. Daniel Suelo é também o autor do blog MONEYLESS WORLD – FREE WORLD – PRICELESS WORLD, que escreve quando consegue uma ligação à internet numa biblioteca pública.

Nos Estados Unidos há um exemplo de vida fora do sistema que, além disso, se tornou famoso por um livro e pelo filme que veio mais tarde, ambos baseados na sua história. A história fatal de Christopher McCandless. Um americano que “saiu da caixa” e acabou por morrer de fome no Alasca. Estima-se que há aproximadamente 750.000 pessoas nos Estados Unidos que vivem desconectadas do sistema.

COMUNIDADES ORGANIZADAS

Em Espanha existem ecovilas, onde é possível viver de forma diferente em pequenas comunidades autossuficientes e eco-sustentáveis. A forma como estão organizadas é simples: são pequenos aglomerados humanos em áreas urbanas onde todos participam na direção e evolução da comunidade. As suas premissas são a autossuficiência e a sustentabilidade económica, ecológica e social. Utilizam tecnologias amigas do ambiente, sistemas de reciclagem e materiais de construção ecológicos, entre outros. É um compromisso de independência em relação às grandes cidades, embora não de uma forma total, uma vez que estão relacionadas com o exterior. Nos casos em que as necessidades organizacionais humanas não podem ser cobertas pela ecovila, fazem uso de transportes de longa distância, hospitais ou outras grandes infraestruturas. Em Espanha, existem atualmente cerca de 30 ecovilas.

COMEÇA DO ZERO E COM DINHEIRO

Viver rodeado pela natureza, em contacto com a terra, os animais e a vida selvagem… sim, mas e quanto às necessidades básicas? Água, eletricidade, gestão de resíduos… A menos que queiras voltar atrás no tempo umas centenas de milhares de anos e viver como os nossos primeiros antepassados viveram, precisas de estar consciente de que há necessidades a satisfazer como ser humano. Precisarás de água livre de bactérias e parasitas, de um mínimo de eletricidade e de alguma forma eficiente para gerir os teus resíduos orgânicos. É melhor se puderes poupar algum dinheiro para poderes comprar alguns bens essenciais que poderiam fazer a diferença entre sobreviver e não sobreviver:

– Sanita seca ou de compostagem: esta sanita torna as fezes reutilizáveis para fazer compostagem que podes depois usar como fertilizante no jardim que, sem dúvida, devias ter. (100€-600€)

– Filtro de prata coloidal: este é um sistema de purificação da água para prevenir bactérias e agentes patogénicos. (80€ aproximadamente)

– Sistema de energia solar: necessitarás de um mínimo de eletricidade para algumas coisas básicas, como um pequeno aquecedor e alguma iluminação (kit básico isento de impostos: 300€)

Depois disto tudo, resta perguntar quais são as questões legais que devem ser enfrentadas durante a grande desconexão. Mas isto faremos noutro post.